28 de ago de 2006

Revista Metrópole


A Revista Metrópole parte integrande do Jornal Correio Popular todo ano faz um especial para casamentos.
Este ano trouxe uma matéria divertidíssima sobre o "depois do sim", com relatos de casais que tiveram situações inusitadas após casarem, vale a pena conferir abaixo. Além disso trouxe um super guia com fornecedores e dicas para quem já está a procura dos preparativos.


Publicada em 20/8/2006


Revista Metropole

Depois da lua-de-mel


Histórias curiosas e divertidas contadas por casais que não sentem saudades do tempo de solteiro

Renata Freitas
rfreitas@rac.com.br


Nem tudo são flores. Esta é a frase corrente quando o assunto é casamento. Talvez realmente haja alguns espinhos ao longo do caminho, mas o que toda união sempre traz são boas histórias do início da vida em comum. Algumas românticas, outras meio tristes. Muitas, no entanto, são engraçadas e depois de anos de convivência tornam-se emblemáticas da primeira fase da vida a dois.

Descobertas, trapalhadas e até pequenos estresses fazem parte da rotina de qualquer casal que inicia a convivência. Afinal, de repente, o homem se vê diante de alguns hábitos tipicamente femininos, como deixar a calcinha pendurada no banheiro. Já a mulher, não raro, descobre que o príncipe encantado ronca a noite inteira. Por essas e outras, os primeiros meses são de total adaptação.

Mas as melhores histórias de início de casamento vão muito além das diferenças de comportamento de gênero. É dos momentos do dia-a-dia que nascem as situações mais inesperadas, que todo casal experimenta nos primórdios da relação.

Hoje, seis anos depois do casamento com o gerente de vendas André Carnieri, a assistente comercial Luciana França Contarelli Carnieri diverte-se quando lembra de sua primeira noite em casa, num Inverno congelante, diga-se, após a lua-de-mel. Num episódio de sonambulismo, ela despejou uma jarra cheia de água na cabeça do marido, que quase se afogou.

“Sempre tive o hábito de ter uma jarra de água no quarto para o caso de sentir sede. Naquela noite, acordei com o barulho dele, afogando-se, e eu com a jarra vazia na mão”, lembra Luciana, que acredita que a reação foi desencadeada pela ansiedade do início do casamento. Carnieri ficou bravo e nervoso, mas, recuperado do susto, deixou o assunto para lá.

A mesma compreensão ele demonstrava, quando a mulher lhe servia o café da manhã. Dedicada, Luciana preparava uma opção diferente para cada dia da semana.

No entanto, nem sempre Carnieri acordava com vontade de comer o que a mulher havia preparado e, mesmo assim, aceitava o mimo que Luciana lhe fazia. Já ela, comia o que dava na telha. “O cardápio era só para ele”, diz.

Na pressão

Ansiosa por agradar ao marido com o mais brasileiro dos pratos – arroz com feijão –, a professora de educação física Mara Barreto Melo revelou-se uma destruidora de panelas de pressão. Até hoje, após quatro anos de casamento com o funcionário público Douglas Machado Antunes, ela ainda não se entende com o prosaico utensílio.

Sem experiência na cozinha antes do casamento, Mara e as tais panelas parecem não se dar bem. Ela já conseguiu inutilizar três delas. Na primeira vez, tentou preparar um quilo e meio de feijão com apenas um pouco de água.

Avessa ao apito que a panela faz quando pega pressão, Mara saiu e fechou a porta da cozinha. Quando se deu conta, a panela já estava deformada e prestes a explodir. Comida e panela foram direto para o lixo.

Em outra ocasião, tentou fazer um bife rolê, que virou carvão porque ela esqueceu a panela no fogo depois de tirar a pressão. Mara arriscou-se ainda a preparar uma carne com feijão, que também queimou. Ela garante que no segundo caso a culpa foi da panela, cuja tampa estava quebrada. “Voou água pela cozinha toda, mas, como deixei o fogo ligado, a comida estragou”, diz.

Mara está em sua quarta panela de pressão e ensaia uma nova tentativa. “Ainda vou conseguir fazer feijão. Não desisto nunca”, ameaça.

Que exagero!

Mara Melo e Luciana Carnieri tinham algo em comum no início de seus casamentos: o exagero na cozinha. Quando Mara e o também inexperiente marido Douglas Antunes foram ao supermercado pela primeira vez, encheram três carrinhos de compras.

Com base na lista de supermercado da casa da mãe, eles compraram 15 quilos de arroz e lotaram meio carrinho com os mais variados tipos de carnes. “A conta ficou em quase R$ 1 mil. Achei que fosse dar para um mês e meio, mas a comida não terminava nunca. Acabei vendendo tudo para minha mãe”, conta Mara.

Luciana, que também não era familiarizada com as panelas, cansou de errar a mão nas receitas que preparava para o marido André Carnieri. “Eu tinha mania de fazer pratos diferentes. Pegava as receitas da internet, mas não tinha noção de quantidades e sempre exagerava. Fazia o almoço de domingo e enchia a mesa de pratos só para nós dois. Uma vez, preparei um pastel de goiabada que enjoamos de comer.”

Casada há dois anos e meio com o empresário Fábio Pocai, a produtora de tevê Míriam Machado Pocai já cometeu seus deslizes em algumas receitas. Certa vez, tentou fazer um doce de banana, mas em vez de salpicar canela, acrescentou noz-moscada.

“Fiz com o maior capricho. Cortei a banana bem redondinha... Mas, literalmente, temperei o doce e ficou horrível”, lembra. Apesar disso, seu apaixonado marido comeu e aprovou. “Ele é muito bonzinho. Quando erro no tempero, sempre diz que está bom”, derrete-se a mulher.

Míriam é daquelas que empurra o marido para fora da cama. E na primeira noite na nova casa teve “problemas” para dormir. Acostumada aos barulhos da madrugada urbana, ela simplesmente não conseguia pregar o olho, aterrorizada com o coaxar de sapos num riacho próximo à casa. Teve que acordar Pocai, que logo a tranqüilizou. Mas ela ainda levou um mês para se adaptar aos sons do campo.

Camping selvagem

Apesar de todo o clima de romantismo, a lua-de-mel também costuma render episódios divertidos. “Queríamos uma viagem que pudéssemos contar a nossos netos e não algo comum que todo mundo já tivesse feito”, diz a estilista Mariana Olmos Belucio, que se casou em maio de 2003 com o veterinário Alessandro Belucio.

E o desejo dela foi plenamente realizado. Alessandro, escoteiro, propôs uma viagem aos Lençóis Maranhenses, mas com um roteiro diferente. A idéia era fazer camping selvagem, parando para dormir sobre as dunas, tomar banho nas lagoas ou no mar e admirar a paisagem paradisíaca ao longo dos seis dias de expedição.

“Era uma fantasia para mim. Mas quando começamos, me dei conta da loucura que estávamos fazendo”, conta a moça. Proprietária de uma loja de moda feminina, ela havia se esmerado no enxoval para a viagem de lua-de-mel. Mas só pôde levar o básico do básico, pois teria que carregar nas costas uma mochila com 15 quilos durante todo o percurso.

Guiados por um aparelho de GPS (um sistema de rádio navegação baseado em satélite, que permite determinar a localização em qualquer local da Terra), eles percorreram 68 quilômetros em três dias sob o sol nordestino. Durante a viagem também andaram em barco de pescador, dormiram em casa de moradores de pequenas vilas maranhenses e enfrentaram a aridez e a solidão das dunas.

“Chegamos a passar quatro dias sem encontrar ninguém. Achei que estivéssemos perdidos”, lembra a estilista, que usou a mesma roupa durante toda a expedição e manteve os longos cabelos da época numa trança por falta de condições de lavá-los.

Mas o maior desafio do casal foi o esgotamento físico e psicológico que afetou Mariana. “No segundo dia, ela estava com bolhas e queimaduras nos pés e nós precisamos acelerar a viagem”, relata o marido, habituado a esse tipo de aventura.

Ao fim da expedição, a recompensa. O casal passou algum tempo em São Luís e ganhou um presente da mãe de Alessandro: mais alguns dias de lua-de-mel no Rio Quente Resort, em Goiás. “Voltei me sentindo uma pessoa melhor, porque vi, graças a ele, que sou capaz de superar muita coisa”, analisa Mariana. Para Alessandro, a viagem contribuiu para uni-los ainda mais.

Dormindo na casa da sogra

Nem tão aventureira assim foi a viagem de lua-de-mel do médico João Baptista Vieira e da artista plástica Norma Vieira, do Tote Espaço Cultural, em Sousas. Depois do casamento em 1974, o casal seguiu para Bariloche, na Argentina. Romantismo foi o tom do passeio, coroando uma união que nasceu de amor à primeira vista, um ano antes da cerimônia.

O sonho de João era conhecer a neve, algo que Norma já tinha experimentado. Por isso, a escolha por Bariloche. Ao chegar lá o casal foi presenteado por flocos de neves, que caíam sem parar. “Quando descemos do avião, estava tudo branco e ele disse, brincando: podemos voltar. Meu sonho foi realizado”, relata Norma.

Mas no dia seguinte, o tempo melhorou e eles puderam admirar o contraste do céu azul com a neve branquinha cobrindo Bariloche. “Foi inesquecível”, diz a artista plástica.

Inesquecível também foi a primeira noite de lua-de-mel dos analistas de sistemas, Hiata e Stela Coelho. Depois da festa de casamento realizada em 2003, em Palmas, capital do Tocantins, onde moravam as famílias, os próprios noivos tiveram que dar carona a convidados de Campinas que estavam hospedados na cidade.

“O carro foi lotado com os convidados e os presentes que recebemos no dia. No banco da frente, foi Stela carregando no colo o bolo e os doces”, conta Hiata. Isso porque eles queriam aproveitar a festa até o fim e literalmente fecharam a porta da recepção.

Ao chegar ao hotel onde passariam o fim de semana, a surpresa: a banheira de hidromassagem, que havia sido decisiva para a escolha do quarto, estava quebrada. “Fiquei tão revoltada que no outro dia de manhã, deixamos o hotel”, diz Stela. Foram, então, para a casa da mãe dela onde passaram o dia e a noite até embarcar para a Bahia na manhã seguinte, aí sim, em lua-de-mel.

Mudanças inesperadas

Quando se casou com o economista Patrick Hansen em 1999, a então organizadora de eventos Estefania Gaviña não imaginava o quanto sua vida iria mudar. Argentinos, Hansen e Estefania deixaram seu país um ano depois para morar no Brasil. Ele havia sido transferido pela multinacional onde trabalhava.

Acostumada a trabalhar fora, ela deixou o emprego e veio a São Paulo com ele. No primeiro mês, enquanto se adaptava à nova cidade e procurava um apartamento mobiliado para morar, Estefania divertia-se escolhendo restaurantes diferentes para comer. “Foi o máximo. Conheci todos os restaurantes de São Paulo”, brinca.

Já o apartamento foi difícil encontrar. “Queria um lugar clean, todo branco, mas não encontrava. Então, decidimos alugar um vazio e ir mobiliando aos poucos”, afirma. Seus móveis e objetos de decoração, muitos deles recebidos como presentes de casamento, só chegaram no ano passado.

Mas a grande alteração na vida de Estefania aconteceu quando ela e o marido vieram para Campinas em 2002. Na época, Hansen começou a trabalhar numa empresa da cidade.

Foi então que ela passou a investir na carreira artística, fazendo cursos de artes plásticas em escolas especializadas de Campinas. Hoje, além de ter se tornado artista plástica, ela passou a atuar como agitadora cultural e já promoveu exposições de arte em vários lugares em Campinas e até em outras cidades.

Felicidade está na união

A relação do engenheiro Achilli Sfizzo Junior com a professora Marlene Sfizzo soma seis anos de namoro mais 34 de casamento. O casal uniu-se numa época em que os homens viviam para trabalhar. “Chegava a passar 16 horas por dia trabalhando”, ressalta Achilli. E as mulheres, embora já estivessem conquistando seu espaço no mercado de trabalho, dedicavam-se aos cuidados com a casa e os filhos.

Marlene, inexperiente, teve que se virar sozinha para desbravar a cozinha. Telefone era raridade e internet ainda nem existia com suas receitas práticas.

Filha de uma italiana nascida na Calábria e casada com um filho de família napolitana, Marlene não sabia cozinhar. E a expectativa geral era que ela se saísse tão bem à frente do fogão quanto a mãe e a sogra. “Acabei desenvolvendo uma maneira própria de cozinhar, à minha moda”, brinca.

Mas o desafio nunca atrapalhou a vida do casal. Difíceis mesmo foram os períodos longe do marido, que precisava se ausentar do País devido a compromissos profissionais. Nos dias que antecediam as viagens, Marlene sempre dava a ele aquela palavra de estímulo, mesmo sabendo que ficaria meses sem vê-lo.

O casal passou longas temporadas sem se ver, em 1976, quando ele foi fazer um curso nos Estados Unidos. O período coincidiu com o nascimento do segundo filho e Marlene enfrentou o parto sem a presença do marido.

Uma década depois, Achilli foi trabalhar no Uruguai e, com isso, o casal se distanciou por mais 12 meses. Como ele teria que ficar quatro anos por lá, a família toda se mudou para enfrentar o restante do período. De volta ao Brasil, não precisaram mais se separar por tanto tempo.

“Era uma época difícil, de uma geração de profissionais que trocavam a vida pessoal pelo trabalho. Só permaneceram juntas as famílias que tinham se estruturado e se gostavam muito. Vários casais não agüentaram e acabaram se separando”, conta Achilli, que não esconde a felicidade por manter sua família unida.

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